Vitor Ramil

Compositor, cantor e escritor, o gaúcho Vitor Ramil começou sua carreira artística ainda adolescente, no começo dos anos 80. Aos 18 anos de idade gravou seu primeiro disco Estrela, Estrela, com a presença de músicos e arranjadores que voltaria a encontrar em trabalhos futuros, como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar, além de participações das cantoras Zizi Possi e Tetê Espíndola. Neste período Zizi gravou algumas canções de Vitor, e Gal Costa deu sua versão para Estrela, Estrela no disco Fantasia.

1984 foi o ano de A paixão de V segundo ele próprio. Com um elenco enorme de importantes músicos brasileiros, este disco experimental e polêmico, produzido por Kleiton e Kledir, proporcionou ao público uma espécie de antevisão dos muitos caminhos que a inquietude levaria Vitor Ramil a percorrer futuramente. Eram vinte e duas canções cuja sonoridade ia da música medieval ao carnaval de rua, de orquestras completas a instrumentos de brinquedo, da eletrônica ao violão milongueiro. As letras misturavam regionalismo, poesia provençal, surrealismo e piadas. Deste disco a grande intérprete argentina Mercedes Sosa gravou a milonga Semeadura

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Labirinto

Está disponível no Youtube o videoclipe de "Labirinto". A música, parceria de Vitor Ramil com Zeca Baleiro, faz parte do álbum Campos Neutrais (2017). O vídeo é uma realização de Antonio Ternura.

Confira texto de Vitor Ramil sobre este trabalho:

Compus a música de Labirinto em Buenos Aires. Ela nasceu de uma sequência de quatro acordes que se repetiam enquanto eu buscava uma melodia que, ao contrário, se desenvolvesse sem repetições, que fosse sempre em frente. Fiquei improvisando e gravando por muito tempo. A certa altura algumas passagens melódicas começaram a voltar e a querer se impor, fazendo com que eu cedesse ao apelo da canção na forma com que nos acostumamos a ela, com mais de uma parte, estribilho, coda, esse tipo de estrutura. Eu não sabia que, depois de receber letra, a canção se chamaria Labirinto, mas curiosamente ela se fez assim (mais justo do que dizer “foi feita”), de forma labiríntica, levando-me primeiro a avançar perdidamente e depois a me deparar com caminhos já percorridos até encontrar uma saída. Musicalmente falando, tanto o improviso inicial como a forma final se afirmaram pela pungência, uma indescritível emoção de fundo que enchia minha voz de frequências e harmônicos à medida que eu avançava.

Zeca Baleiro e eu vínhamos tentando compor algo juntos, mas, até então, sem muito êxito. Resolvi mandar aquele labirinto para ele, sem entrar em detalhes sobre a composição. Uns dias depois, ele me surpreendeu com uma letra em inglês, que começava assim: I said the love is like an obscure maze. Depois o narrador embarcava em um trem e cantava as a blind bird. No estribilho o sol brilhava muito apropriadamente ao crescendo da música e o narrador anunciava: the pain is mine. Letra bonita, sonora, tocante. A pungência estava lá, mas o idioma não me deixava senti-la. Achei que nossos futuros ouvintes talvez viessem a não sentir o mesmo. Propus ao Zeca uma tradução (no caso, uma transcriação, como diriam os poetas concretos) para o português. Ele entendeu o dilema e topou a ideia. Depois da nossa conversa, saí para caminhar e foi como se mais uma vez entrasse num labirinto, dessa vez feito de imagens e fragmentos da letra em inglês. Queria saber se, mantida a essência do original, a transcriação era viável. Amor, labirinto, trem, pássaro, sol e dor ficaram dando voltas na minha cabeça. A pungência precisava seguir dando o tom. E a sonoridade tinha lá suas exigências. Cantarolei mais do que respirei, e terminei a caminhada indo além do previsto: cheguei em casa com a letra pronta na cabeça. Escrevi-a e mandei-a pro meu parceiro que, generosamente, aprovou sem retoques nosso labirinto agora em português.

Recentemente, depois do lançamento de Labirinto em meu álbum Campos Neutrais (2017), Antonio Ternura me propôs fazer um filme sobre ela. Ele veio do interior da Bahia, onde vive, para Satolep. Conversamos sobre a música e a letra viajando por loucos descaminhos, como gotas d’água num absinto. Na sequência, com impressionantes locações em Rolante, interior do Rio Grande do Sul, uma pequena equipe e a participação decisiva do ator Marco Antonio Krug, ele ergueu outro labirinto em que tudo se transcriou. Agora, nesses tempos de pandemia e isolamento social, o filme ganhou uma pungência ainda maior. Ao vê-lo, eu me vi de novo em Buenos Aires, sozinho a improvisar. O labirinto está dentro de nós.

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